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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Homenagem ao meu querido poeta Drummond

 
 Esse poema não há regras,é somente uma expressão de amor.

                                   ANA

            E agora, Ana?
            A festa não acabou.
            Nunca houve festa.
            O povo não sumiu,
            a sua a’lma que esfriou.
            O seu coração que congelou,
            e agora, Ana?
            e agora você?
            você que mesmo sem um nome ,
            fazia seus versos,
             amava,
                        protestava,
            e agora, Ana ?

            Você não conheceu o carinho,
            porém conheceu o poder das palavras.
            Através delas lutava,
derrubava seus adversários
seu discurso não sumiu,
a desilusão surgiu,
                       seu coração congelou.
O dia veio,
o riso veio, veio a utopia
e você fugiu do dia
           e fugiu da utopia
e deixou tudo acabar
e deixou tudo mofar,
e agora, Ana?

E agora, Ana?
Sua doce palavra
está mergulhada em uma cama,
e seu corpo  inerte,
seus olhos fixados,
em sua pequena biblioteca.
Paralisada seu sangue jorra,
           seu ódio não invade o quarto,
porque não há ódio,
e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
                          existe a porta,
não existe a atitude
            por que, Ana?

O mar não secou.
O mar está tão próximo.
Por que não vá morrer no mar?
Ana, e agora?

Você está presa em sua teia,
você está cansada,
você está sem ar
e você nunca soube viver sem o ar
                                 e agora, Ana?
Se você gritasse,
se você derrubasse
                            esses ditadores
se você ignorasse
                      os mesmos sangues
que percorrem em suas veias
que a caluniam
que  rejeitam o seu sangue
que valor tem esses sangues, Ana?

 Eles tem a chave da porta,
 não existe porta para eles.
 Estão presos na alienação
 é isso que você quer, Ana ?

Você não grita mais.
           É por isso que você não grita mais?
Você agora conhece o medo, Ana!

Sozinha no escuro
Qual bicho- do- mato,
sem  teogonia ,
sem parede nua
para se encostar,
sem o seu Mestre
para a orientar,
o Mestre existe,
                            vive.
Só na sua imaginação.

Você tem um cavalo preto
para fugir a galope
e você não foge, Ana?

Você pode marchar, Ana!
Mas você não marcha.
Ana, você não faz versos como o Drummond.

E, daí?
O importante é que você sabe amá-lo.
Você o conhece profundamente,
Sabe ser  como ele ─ o seu poeta!
Vai, Ana!  Ser gauche na vida.
                                               
                                   06/09/2011
   Ana Castro


Continuando com meu querido poeta...
"(...) O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar."


1 comentários:

Anônimo disse...

O lamento da alma disposto a denunciar a crueldade humana que oprime e que, infelizmente acaba enclausurando os sentimentos, ainda bem que dentro do âmago da alma mora o poeta!!!! Liberdade!!!!!!!
Amei!!!!
Ondina Batista

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