segunda-feira, 28 de novembro de 2011
''Quando eu me chamar saudade.''
Creio que muitos conhecem esse título e quem não o conhece passará a conhecê-lo através deste texto.
Baseado nessa música do Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito, penso que não é mais o meu momento de falar ou escrever para Paulo Cézar, e sim, dedicá-lo minhas preces silenciosas, devido eu não ter perdido a oportunidade de dedicá-lo em vida meu sútil afeto. Considero o afeto um sentimento que representa gestos simples, por isso o termo sútil: porque acredito que a simplicidade é bela!
O que deixarei aqui são mensagens para Branca, Deolinda, Maria Emilce ―irmãs de sangue do Paulo Cézar― para os amigos, sobrinhos, sobrinhos netos, para os filhos do Pai Cézar e para todos que o amaram.
Antes de tecer meu singelo sentimento para todos que citei, vou deixar primeiro a poesia que dá o título a este texto, pois creio que seria indelicado da minha parte supor que todos o conheçam( não só esse poema como tantos outros), já que, nós temos um universo de grandes poetas.
Sei que amanhã quando eu morrer/ Os meus amigos vão dizer/Que eu tinha um bom coração/Alguns até hão de chorar/ E querer me homenagear/ Fazendo de ouro um violão/Mas depois que o tempo passar/Sei que ninguém vai se lembrar/ Que eu fui embora/Por isso é que eu penso assim/Se alguém quiser fazer por mim/Que faça agora/Me dê as flores em vida/ O carinho, a mão amiga/Para aliviar meus ais/Depois que me chamar saudade/ Não preciso de vaidade/ Quero preces e nada mais.
Optei por colocar aqui esse poema, porque a morte é a única certeza que temos na vida e eu já deixei por escrito o que eu desejo quando eu partir. Na tarde de quatorze de novembro eu li para o Cézar minha vontade póstuma e ele riu .Por questões de segundo ficou pensativo e disse: “ É. Ana Luzia eu não tinha parado para pensar assim. Mas, sabe que agora ouvindo você falar acho que é isso mesmo.”
Também, comentei com ele que faço algumas comidas deliciosas, mas que só Bárbara e a mãe sabiam disso. Ele deu uma gargalhada e disse: “ Isso eu não acredito não! No dia seguinte o convidei para vir jantar conosco uma comida que tinha acabado de inventar. Cézar se deliciou e disse: “ Retiro o que eu disse ontem ... ” e riu.
No dia dezoito de novembro Cézar e eu estávamos na mesma festa, o aniversário da minha sobrinha Luiza, e eu tinha que vir embora cedo porque Bárbara tinha prova no dia seguinte. Quando nós estávamos vindo embora, ele pediu para vir conosco e veio.
Chegando à nossa casa Cézar estava muito agitado e se queixando de uma forte dor de cabeça. Pediu um remédio e que Bárbara arrumasse rápido a cama dela que ele precisava deitar. Assim foi feito. Não sei o porquê, mas Cézar se encantou com o travesseiro da Bárbara, de fato o travesseiro é muito confortável. No dia seguinte quando eu soube do comentário liguei para ele, contudo ele já estava indo para rodoviária e me comprometi em dá-lo um travesseiro igual o da Bárbara.
Esses últimos bons momentos que tive com o Paulo Cézar é que está e permanecerá em minha memória, como já disse, o belo para mim é o simples e o simples é o belo.
(...) A vida é mesmo uma missão
A morte é uma ilusão
Só sabe quem viveu
Pois quando o espelho é bom
Ninguém jamais morreu
E o meu medo maior é o espelho se quebrar.
João Nogueira/ Paulo César Pinheiro
Paulo Cézar França Zapp herdou um espelho de altíssima qualidade.
Com convicção afirmo para aos que ficaram que não tenham medo de um dia esse espelho vir a se quebrar. Esse espelho jamais se quebrará.
Muitas famílias se dispersam quando a mãe ou pai falecem. Esse fato é muito comum. Sabem por quê? Porque não souberam construir a simbologia do espelho, ou seja, o afeto tão bem entrelaçado que não há formas de desfazer esses nós dados por mãos fiéis onde há certeza que família não é para ser desfeita, mas sim, para que haja a renovação constante do amor, sendo que, é inevitável discussões e desentendimentos entre irmãos. Por isso, o amor que tudo supera deve ser infinitamente mais relevante que os pequenos desentendimentos, daí o efeito causa a renovação do amor― a união― os almoços constante, o zelo entre os irmãos, dos tios para com os sobrinhos; um zelo que não há possibilidade de ser desfeito.
Tia Arminda soube entrelaçar esses nós com sabedoria, e que penso eu, que a minha madrinha, Branca, com firmeza deu continuidade e com certeza alguém dessa nova geração da família já possui em mão essa colcha de retalhos tão linda que Tia Arminda teceu e que a Branca continua tecendo.
Todas as religiões afirmam que a vida é eterna. E para quem crer nessa afirmação, acredito que se deva guardar na memória a alegria que o Paulo Cézar trazia consigo, contudo a saudade é inevitável! Creio que só as preces são de grande relevância e podem acalentar os corações, tanto dos que ficaram como a alma do Paulo Cézar, do Cézar, do Pai Cézar...
Se houver alguém que tenha cometido alguma injustiça, ofensas... com o Paulo Cézar, seja no passado remoto ou em um passado presente, peço que não fique se culpando, se martirizando, porque existe o perdão, além do que, é do ser humano cometer falhas ― o que não significa fazer dessas falhas uma constante em nossas vidas. Saber pedir perdão é um gesto de humildade e ao mesmo tempo um gesto de grande nobreza. O perdão é lindo!
Vocês que conheceram o Paulo Cézar França Zapp, acreditam que ele trazia consigo um bom espelho? Se acreditam, enxuguem às lágrimas e sorriam.
Sorriam, afinal tiveram o privilégio de conviver e desfrutar dessa colcha que Tia Arminda teceu com todo amor que nela havia.
Abraços a todos,
Ana Castro
28/11/2011
P.S. Tinha combinado com o Cézar de fazer um vídeo dele com uma música da Emilinha Borba quando a Bárbara entrasse de férias e ontem foi o primeiro dia das férias dela. Por isso deixaremos aqui um vídeo com uma das músicas da Emilinha.
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